John Doe estava feliz. Poucas pessoas tinham a sua sorte, a de pilotar uma máquina cujo objectivo era a morte, o seu único propósito e sentido era fazer morrer. Mas essa não era a sua preocupação, Doe apenas executava, como uma máquina, precisa e calculista. Nada importava a não ser a missão.
"Red 2, alvo a 2500"
Nada lhe podia tocar àquela distância, nada lhe podia atingir ou magoar. Ele era um anjo da morte, fora da graça dos humanos, inatingível. O seu co-piloto era mais uma arma, algo que apenas lhe ajudava a aumentar a sua precisão, uma forma de tornar a expiação de terceiros mais rápida e, se tudo corresse bem, menos dolorosa. Se bem que isso não lhe importava, a Doe apenas interessava matar, independentemente da dor que ele e a sua máquina, a Mary como ele lhe chamava carinhosamente, poderiam causar.
Se ele tinha sido ensinado a ser eficiente e a não ter compaixão, como é que poderiam eles esperar que ele a senti-se agora?
"Red 2, alvo livre, alvo livre"
Era agora o seu momento. Tudo aquilo para que treinava todos os dias, para que se tinha preparado, para que lhe tinham preparado, tudo se resumia a uma calibração, a um toque simples e a uma ordem, comando, a um toque de botão.
Tudo se resumia àquilo.
E sabem que mais?
Estava um belo dia.

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