O que é morrer? O que é sentir os últimos minutos de vida a escapulirem-se por entre os nossos dedos tal como areia? A última viagem será sempre feita sozinha, nunca lá estará alguém a apoiar-nos, a esperar ou a dar conselhos. Será como nascer, completamente indefesos e sem fazer a mínima ideia do que se está a passar.
Será que estará à nossa espera um deus benevolente ou um deus vingativo? Imaginemos que não está lá nada. Imaginemos que morremos, o sangue para de fluir para o nosso cérebro e perdemos a consciência e......mais nada. O vazio, o negro. Nada lá. Tudo o que vivemos perde-se ali. O primeiro beijo?Puff. A primeira queca? Puff. O primeiro 20? Puff. A família? Os amigos? A experiência? Puff, Puff e Puff.
Isto é reconfortante e ao mesmo tempo assustador. Se perdemos tudo isto, não temos consciência do que se perdeu. Portanto não faz mal, é a indiferença levada ao máximo. Por outro lado, imaginemos que por qualquer motivo, nem que seja a teimosia, a nossa consciência perdura. Aguenta-se, fica lá, seja lá onde for. Sabemos que perdemos tudo aquilo, que outrora fomos algo mas agora somos nada.
Começamos em nada, o mais irónico seria acabar também em nada.

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